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Produtores do Maranhão calculam perdas de até 40%

Forte estiagem no final de 2015 e em fevereiro acabaram com as chances de boa safra

Fernanda Farias | Balsas (MA)

Na safra do Maranhão, o El Niño teve um efeito drástico nas lavouras. O plantio atrasou mais de 50 dias em algumas regiões. A quebra de safra é real e já se espera perdas de até 40%. O custo a mais com o replantio também pesa na conta do agricultor do estado.

O agricultor Paulo Krelling é um exemplo. Mesmo com a propriedade localizada em uma das regiões que mais choveu no Maranhão, a produtividade de 60 sacas por hectare não será alcançada. Pelo menos 30% da safra foi perdida por causa do clima.

As chuvas foram muito irregulares no Maranhão entre outubro e dezembro, que é quando a soja deveria ser plantada. Cerca de 40% da área estimada não foram cultivadas dentro da janela ideal. Depois de um janeiro com um ciclo de chuva adequado, o mês de fevereiro voltou a ser seco. Prejuízo para agricultores como Claudio Brunetta, que investiu mais nesta safra para ter uma produção maior.

– Nós investimos quatro sacas por hectare a mais e o resultado será seis sacas a menos que o ano passado. A gente está pensando na safrinha para recuperar este prejuízo – projeta o agricultor.

O investimento do produtor Claudio Brunetta não deu certo: prejuízos e perda (Fernanda Farias/betsson)
O investimento do produtor Claudio Brunetta não deu certo: prejuízos e perda (Fernanda Farias/betsson)

Na média, 10% das lavouras do estado precisaram do replantio, mas, em algumas áreas, o clima castigou tanto que o replante precisou ser total. Na lavoura do produtor Emir Wendler, depois de 54 dias sem chuvas, produtor replantou mil hectares.

– A expectativa aqui não existe. Não podemos investir porque a situação está complicada – avalia Wendler.

Com o solo seco e a planta fraca, ele abriu mão da aplicação de defensivos. Em 10 anos na região de Balsas, será a pior safra para o agricultor.

– Este será um ano para esquecer. Eu não espero mais que 30 sacas por hectare – lamenta Emir Wendler.

– Na nossa região, temos várias situações, muitas fazendas prejudicadas, outras nem tanto. Devemos ter 40% de perda – explica o diretor do Sindicato Rural de Balsas Marcos Sandri.

Além disso, o tempo firme contribui no surgimento de pragas, como a mosca branca, inseto muito comum nas lavouras da região.

– [A mosca branca] se estabeleceu de tal forma que a maioria das plantas está com fumagina, que inibe a fotossíntese da planta. Não cresceu e agora não vai encher grão porque não tem folha. Em algumas situações é perda total, não tem saída – lembra o consultor técnico do Soja Brasil, Áureo Lantmann.

O pesquisador da Embrapa Dirceu Klepker diz que este é o segundo El Niño que ele acompanha no Maranhão. Na opinião dele, o deste ciclo foi mais intenso. Klepker destaca que o solo arenoso tolera períodos mais curtos de estiagem e, por isso, é importante a cobertura de solo, além da rotação de culturas. Abrir mão da safrinha e investir em cultivares de ciclo médio é outra iniciativa a ser pensada.

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